Pouso Alegre tem centenas de crianças e adolescentes em situação de exploração sexual comercial - “Prostituição Infantil”

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00A exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, vulgarmente chamada de prostituição infantil, em Pouso Alegre, atinge a centenas de crianças e adolescentes. A informação é do Conselho Tutelar. Ainda de acordo com essas informações, as meninas são a grande maioria dos casos nesta situação, porém o número de meninos na chega a 10%. Muitos são levados a esta situação pelos próprios pais, informa a conselheira tutelar, Maria do Carmo Lopes de Souza (Maduca), mas, segundo ela, a grande maioria (cerca de 90%) vai por vontade  própria: “Elas dizem que se prostituem sim, e porque querem. Dizem que fazem isso por cinco reais, por dois reais, por uma pedrinha de craque...”.

De acordo com Maduca, a prostituição infantil, na grande maioria dos casos, está diretamente ligada às drogas: “Atrás de uma criança ou adolescente nesta situação sempre tem a droga, eu diria que em 90% deles. Essas crianças são viciadas e precisam de dinheiro para manterem o vício”, diz a conselheira. “Primeiro elas furtam objetos dentro da própria casa para vender, e quando não têm mais essa opção começam a vender o próprio corpo”, completa. Para a conselheira, é praticamente impossível acabar ou minimizar esse tipo de exploração sexual sem antes combater o tráfico e o consumo de drogas. “À medida que a droga se dissemina entre as crianças e os adolescentes, mais aumenta o número de casos deste tipo de exploração sexual”.

Maduca diz ainda que, as crianças nesta situação sabem o que estão fazendo, têm noção das doenças que podem contrair e da possibilidade de uma gravidez indesejada: “Elas sabem das doenças e da gravidez, mas não evitam, não usam preservativos, não escolhem parceiros. Elas praticam sexo com quem lhes paga para usar seus corpos ou que lhes fornece a droga, para satisfazer o vício”.

 


Avenida Perimetral: Um dos pontos de exploração

01A exploração sexual comercial infantojuvenil em Pouso Alegre, segundo a conselheira tutelar, acontece em todas as regiões do município, mas um dos pontos mais frequentes é na Avenida Perimetral. Essa prática, de acordo com a conselheira tutelar, aumenta nos períodos de férias e em feriados. Maduca diz ainda que, as pessoas que procuram essas crianças e adolescentes para praticar sexo em troca de dinheiro ou alguma mercadoria, são das mais variadas profissões e classes sociais: “A maioria é na Perimetral, por causa dos caminhoneiros”, afirma. “Pouso Alegre é uma cidade dormitório, onde muitos caminhoneiros fazem parada antes de seguir viagem, e isso facilita este tipo de prática, mas não são só os caminhoneiros que exploram sexualmente essas crianças e adolescentes, eles são a maioria, com certeza, mas tem também comerciantes, empresários..., pessoas de todas as classes sociais”, completa.

 


Exploração Sexual ou Prostituição Infantil

O termo prostituição infantil é inadequado, por isso ele está grafado em itálico em todo o texto, pois, não existe prostituição infantil o que existe, são crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual comercial.

Quando crianças e adolescentes são levados a participar de atos sexuais ou pornográficos, estão sendo explorados sexualmente, pois não têm poder de decisão para se prostituírem, embora possam ter seu corpo explorado por terceiros. A palavra prostituição remete à idéia de consentimento, desviando o enfoque da exploração sexual. Isto tira a criança e o adolescente da condição de vítimas, transportando-os para o papel de agentes da situação. A exploração sexual infantojuvenil trata-se de uma violação dos direitos fundamentais infantis, num contexto em que indivíduos mais fortes subjugam os mais fracos. Crianças e adolescentes são explorados sexualmente porque são induzidos a essa prática, seja por situação de pobreza, abuso sexual familiar ou estímulo ao consumo.

QUEM NÃO DENUNCIA, TAMBÉM VIOLENTA - Disque 100

 


O que leva crianças e adolescentes à essa condição

Para a psicóloga, Maria José Pereira, na maioria dos casos de exploração sexual comercial infantojuvenil os adolescentes vão por vontade própria, por necessidade de bens materiais para ela. Em apenas 10% dos casos seriam colocados nesta situação pelos pais.

Segundo ela, o que leva crianças e adolescentes a essa situação é, na maioria das vezes, a desestrutura familiar, a falta de emprego, falta de programas eficazes dos governos. Porém, outros fatores também contribuem para isso: distúrbio comportamental, busca por dinheiro “fácil”.

Muitos pais, de acordo com a psicóloga, não conseguem ou não querem enxergar que o filho(a) está nesta situação, e ela faz um alerta: “Os pais devem ficar atentos ao comportamento dos filhos, alguns dizem que vão ficar uns dias na casa de parentes ou amigos, outros falam que vão trabalhar em outra cidade (geralmente de babá ou doméstica), ou ainda que vão dormir na casa de alguma amiga. Mas na verdade estão indo fazer programa fora”, diz. “Os pais precisam sempre investigar se o filho ou filha está realmente onde disse que estaria”.

Maria José lembra ainda que, o adolescente na situação de exploração sexual geralmente se torna uma pessoa triste, agressiva, revoltada. Aparece com bens materiais sem origem confirmada, com dinheiro.

Segundo a psicóloga, a criança e adolescente explorada sexualmente, se não for tratada a tempo pode apresentar problemas na fase adulta: “ Ele pode vir a ser um adulto com transtorno bipolar, ser depressivo, agressivo, sem iniciativa, largado à própria sorte”.

 

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