Associação da Raça Negra de Pouso de Alegre homenageia o cronista e poeta Antônio Francisco Cândido com Medalha Zumbi dos Palmares

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pag04-01A Associação da Raça Negra de Pouso Alegre (Arnepa) homenageou, no dia 14 de novembro, o cronista e poeta Antônio Francisco Cândido (Toninho), funcionário do Teatro Municipal de Pouso Alegre e cronista no Jornal Diário do Sapucaí

A homenagem foi através da entrega da Medalha Guerreiro Zumbi dos Palmares, dentro das comemorações da Semana da Consciência Negra, de Pouso Alegre, realizada de 14 a 20 de novembro.

Esta é a segunda edição da Medalha, que neste ano, de acordo com o  presidente da Arnepa, Mário Cezar Barbosa Ribeiro, congratulou 24 pessoas. Segundo ele, o evento foi criado para homenagear pessoas de destaque dentro da sociedade pousoalegrense e que, de alguma forma, colaboram ou colaboraram para o desenvolvimento da Anerpa.

Já Antônio Cândido disse que essa foi uma agradável surpresa para ele, e que o deixou muito feliz: “Há anos que essas homenagens só eram póstumas, e agora você receber uma homenagem em vida é muito bom, é importante. Isso só vem coroar o nosso trabalho, eu já me sinto realizado, pois a repercussão do meu trabalho superou as minhas expectativas”, comentou o artista.pag04-03

Além da homenagem, Toninho participou do 2° Concurso de Poesias Zumbi dos Palmares, também realizado pela Anerpa. Ele concorreu com a poesia “Escravos”. A obra faz uma apologia sobre as condições vividas pelos escravos durante o Brasil Colonial: “Cada estrofe é um convite às pessoas para refletirem sobre um período triste e cruel de nossa história, e  sobretudo, desumano para com toda uma raça: os negros”, explica o artista.

pag04-02A poesia , que conquistou o quarto lugar no concurso, foi interpretada pelos artistas congonhalenses Wesley Gabriel Gomes Couto e Rayan Fernando Coutinho, que conquistaram o terceiro lugar na categoria Interpretação.

Wesley Gabriel interpretou o papel de escravo e Rayan Fernando o do patrão. Esta é a primeira premiação literária conquistada pelos artistas intérpretes, numa trajetória que, segundo Toninho, tende a crescer e ser vitoriosa.

Confira a poesia abaixo

 

Poesia

ESCRAVO

Ele era negro e sofreu,
Ele era negro e padeceu,
Lutou, suou e trabalhou para o patrão,
Em trocas de migalhas de pão.

Com chibatadas nas costas,
Em pleno manto verde,
Sem ter a quem recorrer,
Nas horas de dor, angústia e sede.

O patrão negava tudo,
Amor, carinho e proteção.
E o mais elementar dos direitos,
O direito de ser cidadão.

Trabalhava de sol-a-sol,
Enfrentando doenças, fome e bichos ferozes.
Só o Criador sabia de seus sofrimentos,
Uma sorte das mais atrozes.

Ele era negro e sofreu,
Ele era negro e padeceu,
Ele era negro e lutou,
Lutou, padeceu e morreu.

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